A Escoliose do Adulto é definida quando as curvas no plano frontal (coronal) apresentam mais de 10 graus de angulação. A doença é muito comum e causa enorme impacto negativo sobre a qualidade de vida da população mais idosa. Ao contrário da Escoliose do Adolescente, no adulto a região predominantemente atingida é a coluna lombar, com apresentação de dores e queixas, sobretudo neurológicas, relacionadas aos membros inferiores.

 

A Escoliose Degenerativa do Adulto é frequente, com incidência estimada de 6-68% (desta forma fica clara a porcentagem? Significa de 6% a 68%?) em indivíduos maiores de 40 anos e com aumento da prevalência na população mais idosa. É uma doença derivada do processo degenerativo da coluna, caracterizada principalmente pelo desgaste assimétrico do disco intervertebral. Além da deformidade coronal, as alterações incluem osteofitoses ou “bicos de papagaio” (como mostrado na imagem ao lado), hipertrofia das facetas articulares, estenose de forame, estenose central do canal medular, instabilidade segmentar e perda do alinhamento global da coluna.

 

É uma doença que se equipara a outras patologias relacionadas ao envelhecimento, tais como osteoartrose, doenças cardíacas, pulmonares e diabetes. Em escores de qualidade de vida, a escoliose do adulto se mostrou como a de maior pontuação nos quesitos de equilíbrio, autonomia, dor e capacidade funcional global, interferindo substancialmente na vida dos pacientes. (Esta última frase ficou confusa. Sugestão: Em relação à qualidade de vida, a escoliose do adulto se mostrou como a de maior interferência nos quesitos de equilíbrio, autonomia, dor e capacidade funcional global, afetando substancialmente a vida dos pacientes.)

 

Os sintomas predominantes incluem dor lombar mecânica, rigidez da coluna, radiculite/radiculopatia, claudicação neurogênica, perda da força nos membros inferiores e, mais raramente, síndrome da cauda equina.

 

É de grande importância que o paciente esteja bem informado sobre essa patologia para desmistificar os riscos envolvidos em um procedimento cirúrgico moderno. Estudos demonstram que o tratamento conservador, mesmo de início precoce, é ineficiente e não interfere na evolução da doença. É importante saber que existem diversas formas de cirurgias e com grande impacto positivo no ganho da qualidade de vida e autonomia, quando bem aplicadas caso a caso.

 

As modalidades cirúrgicas vão desde descompressão isolada, artrodese posterior, artrodese circunferencial com descompressão e cirurgias maiores que envolvem descompressão, artrodese e correção da deformidade.

 

Pacientes com sintomas moderados de dor, estenose do canal, desalinhamento sagital e deformidade progressiva são os que têm maior benefício com o tratamento cirúrgico, independentemente da idade. Quanto maior for a extensão da deformidade principal e dos achados associados, maior será o benefício da artrodese em relação à a descompressão isolada, pois com essa última alternativa, ainda há risco de progressão da deformidade, persistência do desequilíbrio e uma chance maior de um novo procedimento invasivo cirúrgico no futuro.

 

O aumento da experiência cirúrgica e os avanços nas técnicas de cirurgia da coluna vertebral permitiram que nos últimos anos o tratamento cirúrgico assumisse um papel relevante para a Escoliose do Adulto. Os pacientes tratados cirurgicamente, comparando-se com os tratados de modo conservador, reportam maior redução na sintomatologia dolorosa, melhoria marcada na autoimagem e função da coluna vertebral. Os objetivos gerais do tratamento cirúrgico são  principalmente a resolução das estenoses, com ou sem correção da deformidade, estabilização do(s) segmento(s) afetado(s) e reequilíbrio da coluna vertebral.

 

Ultimamente, a artrodese intersomática extremo-lateral (popularizado como XLIF, ou como LLIF), que utiliza um plano retroperitoneal através do músculo Psoas, vem se popularizando como uma técnica minimamente invasiva de correção da deformidade e artrodese. Essa abordagem permite a reconstrução da coluna anterior, descompressão indireta dos elementos neurais através do restabelecimento da altura discal e realinhamento vertebral. Por ser uma abordagem menos invasiva, a literatura mostra diminuição de alguns riscos associados aos métodos mais invasivos por abordagem anterior ou posterior.

 

Dos benefícios das cirurgias menos invasivas têm-se a redução de perda sanguínea, diminuição do tempo cirúrgico, menor tempo de internação hospitalar, possibilidade de pós-operatório imediato não ser feito em unidade fechada e deambulação precoce. Tardiamente, as menores taxas de infecção podem fazer uma diferença tanto clinicamente, quanto economicamente para todo o sistema de saúde.

 

A informação ao paciente é crucial para o tratamento correto da deformidade e dos sintomas associados. É comum que o receio de ser submetido a uma cirurgia seja maior que a perspectiva de se beneficiar. Se o paciente tem uma doença que interfere negativamente na qualidade de vida e autonomia, ele deve ser abastecido de informação para buscar atenção especializada. A cirurgia de coluna tem avançado, as técnicas menos invasivas são realidade e ajudam muito o paciente a restabelecer sua qualidade de vida com riscos cada vez menores.

 

 

1.    Aebi M. The adult scoliosis. Eur Spine J. 2005 Dec;14(10):925-48.

2.    Silva FE, Lenke LG. Adult degenerative scoliosis: evaluation and management. Neurosurg Focus. 2010 Mar;28(3):E1.

3.    Schwab F, Lafage V, Farcy JP, et al. Surgical rates and operative outcome analysis in thoracolumbar and lumbar major adult scoliosis: application of the new adult deformity classification. Spine (Phila Pa 1976) 2007;32:2723–30.

4.    Anand N, Baron EM. Minimally invasive approaches for the correction of adult spinal deformity. Eur Spine J. 2013 Mar;22 Suppl 2:S232-41. 3616471

5.   Phillips FM, Isaacs RE, Rodgers WB, et al. Adult degenerative scoliosis treated with XLIF. Spine (Phila Pa 1976) 2013; 38: 1853-1861

Legendas:

Exames de raios-X e de ressonância magnética que evidenciam a escoliose, com degeneração assimétrica dos discos intervertebrais e estenoses foraminais em diferentes pontos da curva escoliótica (“D1702_EscolioseRNM.png”)

Imagem de exame de tomografia computadorizada que mostra a escoliose lombar com osteofitoses (“D1829coronal.png”)

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