Escoliose do Adolescente

Em visão lateral, a coluna não é e nem deve ser reta. É naturalmente composta por lordose cervical, cifose torácica e lordose lombar. No entanto, em visão anteroposterior, a fisiologia normal é uma linha reta que liga o crânio ao centro da bacia. O desvio no plano coronal é patológico e pode criar uma coluna em “S” ou em “C” (figura – combinar 2 imagens – a imagem da esquerda da Figura 9A e a imagem da esquerda Figura 13B do documento “The Lenke Classification of adolescent idiopathic scoliosis” ). Estas curvas são descritas como curvas escolióticas, ou escoliose. A escoliose idiopática infantil acomete crianças com menos de 3 anos, enquanto a escoliose idiopática juvenil acomete os jovens entre 3 e 10 anos. A escoliose idiopática do adolescente ocorre em pacientes com mais de 10 anos de idade e que ainda apresentam o esqueleto imaturo. Cerca de 80% das escolioses detectadas na época da adolescência é de origem idiopática, o restante advém de deformidades congênitas, doenças neurológicas e outras condições genéticas. A Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA) acomete cerca de 1 a 3% das crianças entre 10 e 16 anos. [1]

A etiologia da EIA, como o próprio nome diz, é desconhecida. As apresentações fenotípicas e genéticas são heterogêneas.  Os mecanismos patogenéticos propostos até hoje parecem agir em conjunto e podem ser divididos didaticamente como (a) uma forma de escoliose neuromuscular; (b) consequência de uma anormalidade no crescimento da coluna vertebral; (c) falha mecânica de um lado da coluna vertebral devido a um defeito na formação trabecular ou mineralização. Ainda, vale lembrar que fatores hormonais, químicos e externos influenciam, visto que atuam como reguladores do músculo esquelético. [2]

Durante a adolescência, a escoliose geralmente não produz dor, dificultando o diagnóstico. Portanto, a escoliose pode estar presente por vários anos antes de ser notada pela criança ou pelos familiares. Apesar de não obrigatório no Brasil, o diagnóstico precoce mais simples começa na triagem escolar e é feito com o Teste de Adams (figura – duas fotos das extremidades esq e dir da Figura 1 do documento “Instrumentação seletiva na escoliose idiopática”). Este teste é uma apreciação visual de um possível desalinhamento da altura do tórax de um lado em relação ao outro durante a flexão do tronco para frente. Assimetrias como essa podem ser um sinal precoce de escoliose. Após suspeita inicial, o fechamento de diagnóstico é radiográfico, através de exame de raios-X, incluindo as porções cervical/ torácica e lombar, em incidências lateral (neutro, flexão lateral esquerda e flexão lateral direita) e anteroposterior. 

Apesar de não existir um método padrão para uso clínico na previsão precisa de progressão da deformidade da EIA, alguns achados de contribuição variável têm relação com a progressão: (1) aumento da curva escoliótica e da rotação axial durante tratamento conservador com colete; (2) angulação inicial maior de 25°; (3) osteopenia; (4) idade menor que 13 anos ao diagnóstico; (5) curva presente já em fase pré-menarca; (6) imaturidade esquelética; (7) deformidade torácica. [3] Após o fim do crescimento ósseo, é muito raro uma curva progredir rapidamente, e o estágio de crescimento pode ser acompanhado pelo sinal de Risser, no osso ilíaco. Curvas pequenas (30°) costumam não progredir, curvas acima de 50° podem aumentar cerca de 1° por ano se não tratadas, mas os dados são discutíveis e cada caso deve ser considerado separadamente. [4]

Como foi dito, a apresentação da EIA é variável e caso a caso e deve ser estudado em detalhe. A curva escoliótica pode estar localizada na parte superior da região torácica, na região central da coluna torácica ou na região toracolombar. A classificação mais utilizada hoje em dia é a de Lenke, a qual leva em conta a localização e a flexibilidade da curva em flexão lateral do tronco, além de modificadores lombar e de cifose. A utilização da classificação facilita a verificação de gravidade e determinação de terapêutica. A medida da angulação das curvas é feita pela metodologia descrita por Cobb (figura – Figura 3A do documento “The Proximal Thoracic Curve in AIS”) e leva em conta as vértebras com traçado concêntrico para cada curva isoladamente. Quão maior ângulo de Cobb mais grave a escoliose.

O tratamento conservador (sem cirurgia) é utilizado para curvas com ângulo moderado (entre 20° e 40°) em crianças com potencial de crescimento (Risser de 0 a 2). [5] O uso de colete toracolombar é indicado para pacientes com potencial de crescimento e que tenham mostrado progressão da curva. O colete objetiva evitar a progressão da curva enquanto a coluna cresce. O colete não irá corrigir a curva, só tentar diminuir a progressão.

Curvas acima de 40° e 45° podem ter o tratamento cirúrgico estudado, e o objetivo principal é corrigir a deformidade presente, mas também evitar que a mesma se agrave. A questão estética também é muito importante para o paciente, sendo que a cirurgia realinha o tronco e suaviza sensivelmente a percepção de assimetrias escolióticas do corpo.

As correções cirúrgicas são mais fáceis quanto mais cedo são feitas, porém o adulto jovem se beneficia sensivelmente do tratamento cirúrgico. Antigamente, as cirurgias eram mais mórbidas e com tempo de recuperação muito longo, sendo que em diversas vezes o paciente permanecia engessado por muitos meses à espera de consolidação da fusão óssea. Com o advento dos implantes como parafusos e barras, a mobilização do paciente é quase imediata. A direção já existe da modernização dos procedimentos cirúrgicos para correção de EIA passa pela utilização de menor número de parafusos, fusionar menos níveis da coluna e realizar abordagens cirúrgicas com a menor invasão possível. A literatura mostra que resultado do tratamento cirúrgico tende a ser muito positivo e estimulante (imagem – 2 fotos da esquerda da Figura 9C do documento “The Lenke Classification of adolescent idiopathic scoliosis”).

 

1.            Weinstein SL, Dolan LA, Cheng JCY, Danielsson A, Morcuende JA. Adolescent idiopathic scoliosis. Lancet 2008;371(9623):1527–37.

2.            Acaroglu E, Bobe R, Enouf J, Marcucio R, Moldovan F, Moreau A. The metabolic basis of adolescent idiopathic scoliosis: 2011 report of the “metabolic” workgroup of the Fondation Yves Cotrel. Eur Spine J 2012;21(6):1033–42.

3.            Noshchenko A, Hoffecker L, Lindley EM, Burger EL, Cain CM, Patel VV, et al. Predictors of spine deformity progression in adolescent idiopathic scoliosis: A systematic review with meta-analysis. World J Orthop 2015;6(7):537–58.

4.            Agabegi SS, Kazemi N, Sturm PF, Mehlman CT. Natural History of Adolescent Idiopathic Scoliosis in Skeletally Mature Patients: A Critical Review. J Am Acad Orthop Surg 2015;23(12):714–23.

5.            Hoashi JS, Cahill PJ, Bennett JT, Samdani AF. Adolescent scoliosis classification and treatment. Neurosurg Clin N Am 2013;24(2):173–83.

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