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Visite também: IPC - Instituto de Patologia da Coluna - Cirurgia e Tratamento da Coluna

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A mielopatia é a síndrome clínica que resulta de uma lesão da medula espinal, e o termo espondilose refere-se à lesão degenerativa ou desgaste das articulações entre as vértebras. Sabe-se que a mielopatia espondilótica cervical é a mielopatia adquirida não traumática mais frequentemente observada na clínica diária (sendo válido lembrar que a lesão medular também pode ocorrer por traumatismos ou outras condições na coluna cervical).

FIGURA 2 (Fonte: adaptada de Tracy JA & Bartleson JD 2010)

A compressão da medula pode ser causada por alterações degenerativas da coluna vertebral cervical, tais como: hipertrofia das facetas, hipertrofia do ligamento amarelo, osteófitos nas margens posteriores dos corpos vertebrais direcionados para o canal vertebral e para os foramens, calcificação do ligamento longitudinal posterior e, muitas vezes, por hérnias discais volumosas. Associadas ou não, as alterações provocam a diminuição do diâmetro do canal vertebral, resultando em compressão da medula espinal. Alterações microvasculares (falta de suprimento sanguíneo na medula) podem agravar o quadro. A ocorrência está relacionada, até certo grau, com herança genética, fatores ambientais - como trabalho com carga em coluna cervical - e o grande vilão precursor de diversas doenças: o tabagismo.

Os sintomas dependem da zona da medula afetada e do nível da compressão. Os mais frequentes são: dormência das mãos, perda da destreza manual – sobretudo para movimentos finos, como abotoar botões de uma camisa, falta de força nos membros superiores, rigidez dos membros inferiores (marcha robótica), desequilíbrio na marcha e urgência miccional. A dor cervical habitualmente está presente, mas não é a característica principal. A evolução dos sintomas é muito variável e, em certos casos, eles são lentamente progressivos. Em outras situações, porém, o aparecimento de graves sintomas neurológicos é rápido e necessita de tratamento cirúrgico urgente.

FIGURA 3 (adaptada de “https://www.spine-health.com/blog/how-cervical-stenosis-myelopathy-affects-your-body” e de “http://clinicbrain.com/article/Dizziness-Causes”)

O prognóstico da doença está relacionado a três fatores:

  • COMPROMETIMENTO NEUROLÓGICO

  • TEMPO DE EVOLUÇÃO DA DOENÇA

  • IDADE DO PACIENTE, com pior evolução nos pacientes mais idosos.

Esses dados reforçam a indicação do tratamento cirúrgico assim que é feito o diagnóstico clínico de mielopatia, confirmado com exames de imagem.

O exame complementar fundamental para obter o diagnóstico é a ressonância nuclear magnética (RNM), que permite definir com clareza as alterações estruturais da coluna cervical, a existência de compressão medular e sua localização e a presença de lesões medulares, que poderão ser edematosas (mieloedema) ou atróficas (mielomalácea). O sinal radiológico aparente na RMN é o sinal de mielomalácea, um sinal hiperintenso da medula, que representa necrose isquêmica ou hemorrágica. Alguns pacientes mostram alterações no exame sugerindo compressão medular, mas geralmente podem encontrar-se assintomáticos e sem sinais clínicos de compressão medular. [CdMR1] Nesses casos, ainda não há um consenso quanto à melhor conduta - tratamento cirúrgico ou observação clínica. Estudos mostram que aproximadamente 8% desses pacientes irão apresentar quadro neurológico no período de um ano e aproximadamente 23% destes, no segmento de quatro anos.

FIGURA 1 (Fontes: adaptada de “http://blog.medicalmediaimages.com/2014/08/what-is-cervical-spondylotic-myelopathy.html” – estudar o copyright; imagens de arquivo)

 

Uma vez decidido o tratamento cirúrgico, o objetivo principal é a descompressão da medula espinal. Para isso, existe a opção de o procedimento ser realizado por acesso anterior (discectomia e/ou corpectomia e artrodese anterior), posterior (laminectomia, laminoplastia e/ou artrodese posterior) ou acesso combinado. Algumas características são avaliadas para decisão de acesso, como presença de lordose cervical, calcificação do ligamento longitudinal posterior, compressão medular predominantemente anterior ou posterior, níveis comprometidos e a presença de instabilidade da coluna cervical.

 

Referências

Mielopatia cervical espondilótica - tratamento com laminoplastia e artrodese com sistema de fixação de massa lateral - Pimenta Junior WE, Daher S, Souza Junior ZA, Cardoso ALP, Moraes FB - COLUNA/COLUMNA. 2008;7(1):17-22

Tratado de Neurocirugia 1º Edição, Editora Manole, Editor Mario G Siqueira. 2015

Tracy JA & Bartleson JD. Cervical Spondylotic Myelopathy. The Neurologist 16(3):176-87. 2010