Patologias cervicais

Quando se fala em coluna no primeiro instante vem à mente a coluna lombar. Mas deve-se lembrar que a coluna se estende desde a base do crânio até o cóccix. As vértebras cervicais são bem menores e o canal medular é proporcionalmente maior nesta região. A alta mobilidade da coluna cervical também é um outro fator que merece destaque tanto no seu funcionamento saudável quanto no desenvolvimento de patologias. 

                                                                                                                                    Fonte: Hoffman e Daniels. 2011

 

De forma geral, podemos dizer que as doenças da coluna cervical podem ser classificadas quanto à natureza: problemas articulares (mecânicos), problemas ósseos, problemas neurais ou mistos. Degeneração dos discos e artroses da coluna cervical são questões comuns. Estas condições podem ser aceleradas ou precipitadas pelo envelhecimento, trauma ou uso repetitivo. A despeito das condições degenerativas ou traumáticas da coluna cervical, os tumores primários da coluna são raros, sendo 40 vezes menos presentes que do que as lesões metastáticas.  Os traumas que acometem a coluna cervical são potencialmente gravíssimos por colocar em risco a medula espinal. 

 

Dentre as patologias mais encontradas na coluna cervical destacam-se:

Degeneração discal

Uncoartrose

Espondiloartrose

Degeneração das articulações facetarias

Hérnia de disco

Osteofitose

Estenoses

Mielopatia

Discite

Tumores

Fratura

Fusão congênita ou adquirida

Espondilite anquilosante

Instabilidade

Artrite reumatoide

Invaginação basilar

Deformidade coronal ou sagital

 

DEFORMIDADE CERVICAL EM ESPONDILITE ANQUILOSANTE

Fonte: Lazennec et al. 2015

MAL FORMAÇÃO DE CHIARI

Fonte: Radiologypics. 2015

 

História Clínica e Exames

Na história clínica é importante saber acerca do aparecimento e características dos sintomas. Funções como o movimento e reflexos de braços e pernas são testados junto com a verificação de áreas para  a checagem de dormência ou formigamento. A porção posterior da coluna em si é examinada para avaliar pontos dolorosos, amplitude de movimento e qualquer sintoma que possa surgir de movimento. Devido à complexidade do diagnóstico na região, a ressonância magnética é o exame de escolha mais completo para estudo do quadro para casos.

Exames complementares incluem radiografias ortostáticas e dinâmicas para mostrar morfologia, disposição geral, formações ósseas abundantes e alinhamento. Exames de tomografia computadorizada mostram com mais precisão extensão e defeito ósseo, tanto nas articulações quanto em possível compressão medular. O uso de testes clínicos de eletromiografia são úteis mas, por muitas vezes, são inespecíficos.

 

APRESENTAÇÕES CLÍNICAS MAIS COMUNS

Dor cervical mecânica

De longe, a dor cervical mecânica é a apresentação mais comum vista pelo especialista de coluna. A dor é tipicamente relatada como difusa, inespecífica e agravada com o movimento do pescoço. Dois terços destes pacientes têm dor nos ombros e parte superior dos braços em um padrão de dor não-radicular. Dores de cabeça irradiando para a frente da cabeça não são raras. O principal objetivo na avaliação de pacientes com dor cervical mecânica é excluir alguma patologia de base. Na ausência de sintomas neurológicos ou achados neurológicos, o primeiro tratamento é conservador.

DERMÁTOMOS DA INERVAÇÃO PROXIMAL

Radiculopatia cervical

Radiculopatia é o resultado da irritação das raízes nervosas emergentes na altura do forame intervertebral. O sintoma mais proeminente é de fraqueza, dormência e/ou formigamento em uma das extremidades superiores, e pode levar à dor crónica e incapacidade. Dores cervicais inespecífica podem acompanhar o quadro. A distribuição das dores pode ajudar a fazer o diagnóstico e localizar o nível acometido segundo a imagem representativa. Os sintomas abaixo do cotovelo têm frequentemente uma patologia cervical como a fonte de sua dor ea perda de força nos braços, mãos ou dedos são sinais de alerta da evolução da patologia.

Fonte: Souza. 2016

Compressão da medula e mielopatia

 

ESTENOSE MEDULAR COM SINAL DE MIELOPATIA

 

A mielopatia cervical ocorre quando a medula espinhal é diretamente comprimida ou sofre isquemia. Isso pode ser causado por um canal vertebral pequeno congênito ou pressão advinda de estruturas ósseas, ligamentares ou discais da coluna cervical. Os sintomas dessa patologia são difíceis de serem reconhecidos pelo paciente, pois são variados e não específicos. Os sintomas começam insidiosamente, progridem lentamente e são frequentemente atribuídos pelo indivíduo a outras causas. É importante lembrar que a mielopatia cervical pode apresentar sintomas de membros inferiores e superiores. Os principais sinais são problemas na marcha, equilíbrio e alteração de esvaziamento vesical, acompanhados por achados físicos de hiperatividade reflexa e falta de habilidades motoras finas nas mãos.

Fonte: El-Kadi. SpineDisease. 2017

 

QUANDO ENCAMINHAR AO ESPECIALISTA DE COLUNA

Com suspeita ou confirmação de patologia da coluna cervical, o paciente deve ser encaminhada para avaliação adequada pela equipe de coluna vertebral. Os principais Sinais de Alerta são:

Dificuldades em marcha, equilíbrio, evacuação ou micção

Déficit neurológico progressivo

Dor cervical pós trauma

Fraqueza motora

Formigamento

Dor cervical

Dores de cabeça

 

A maioria dos pacientes com queixas cervicais tem dores cervicais benignas de origem mecânica e muscular. O principal objetivo na avaliação desses pacientes é descartar uma patologia mais grave. História cuidadosa e exame físico devem ser realizados para o manejo seguro destas patologias.

 

 

Referências

Pudles E, Defino H. A coluna vertebral: Conceitos básicos. Sociedade Brasileira de Coluna. Artmed. 2014

Hoffman M, Daniels J. Common Musculoskeletal Problems - A Handbook. 1o ed Springer-Verlag New York. 2011

Souza TA. Differential Diagnosis and Management for Chiropractors: Protocols And Algorithms. 5° ed. Jones & Bartlett Learning. 2016

Malcolm GP. Surgical disorders of the cervical spine: presentation and management of common disorders. J Neurol Neurosurg Psychiatry 2002; 73 (Suppl I):i34–i41

Lazennec JY, d'Astorg H, Rousseau MA. Cervical spine surgery in ankylosing spondylitis: Review and current concept. Orthop Traumatol Surg Res. 2015 Jun;101(4):507-13.

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