A história da Escoliose

Atualizado: 14 de Ago de 2020


O termo escoliose é derivado do grego e significa curvatura.

Antigas referências indianas

O épico hindu Srimad Bhagwat Mahapuranam, que foi provavelmente composta entre 3500 a 1800 aC, faz referência a uma pessoa que pode ter tido escoliose. Kubja, um seguidor do deus Krishna, era descrito como um corcunda com uma espinha que foi deformada. A história explica como Krishna colocou suas mãos sobre Kubja, pressionando os pés para baixo e tracionando gentilmente o queixo para cima, e com isso foi capaz de endireitar sua coluna vertebral. E assim esta referência tão antiga para a doença também revela um tratamento precoce.


Medicina grega antiga

O antigo médico grego Hipócrates cunhou o termo escoliose. Ele fez pioneirismo no tratamento da doença, incluindo métodos como aplicação de tração axial e correção trans-abdominal. Seu trabalho estabeleceu as bases para a fundação da medicina ocidental.


Do século V ao XV

Pouco progresso se fez no tratamento das deformidades da coluna vertebral.

Paul de Aegina (625-690 AC) escreveu um tratado “Seven Books” ou “Sete Livros” uma luz em um período de trevas. Durante a idade média indivíduos com deformidades eram objeto de desprezo e escárnio, considerados uma forma de punição divina.


Ambroise Paré

Em 1510, o cirurgião francês Ambroise Paré defendeu o uso de extensão e pressão contra o corpo para tratar a escoliose. Ele sugeriu que os pacientes fossem tratados com um colete especialmente concebido de ferro acolchoado. Ele defendeu o uso de grandes forças e alavancas para contorcer o corpo. No entanto, pelos padrões modernos, ele foi negligente em sua compreensão da importância do pós-tratamento na saúde contínua do paciente.


André

Foi o primeiro a utilizar o termo ortopedia em 1741, escreveu sobre curvaturas da coluna, dando atenção especial a hábitos posturais  como medida preventiva e a coletes e exercícios como métodos de tratamento.


Lewis A. Sayre

Em 1878, Lewis A. Sayre, um cirurgião ortopédico, escreveu um livro chamado  “Spinal Disease and Spinal Curvature”ou “Doenças da coluna e a curvatura da coluna.” Em seu livro, ele argumentou que o método de tratamento superior para a doença seria ter pacientes suspender-se em uma jaqueta feita de gesso de Paris, uma idéia que ele tomou emprestado do Dr. Benjamin Lee e do Professor Mitchell, ambos da Filadélfia. As jaquetas seriam usadas diariamente durante uma série de exercícios.


Brackett and Bradford

Desenvolveram um quadro de tração horizontal com um “localizador” anexo, muito similar ao utilizado por Risser em 1952.


 Opções modernas de tratamento da escoliose

O tratamento atual  para a escoliose deve ser executado por uma equipe interdisciplinar e depende da severidade das curvas na coluna vertebral. Curvas de 10 a 20 ou 25 graus requerem exercícios fisioterapêuticos específicos para a escoliose e acompanhamento atencioso da equipe, principalmente quando as fases de “surto” de crescimento estão próximas. Já as curvas  25 a 40 graus requerem a utilização de coletes ortopédicos acompanhada necessariamente por exercícios fisioterapêuticos especializados com o objetivo de assegurar e oferecer o melhor tratamento possível. As curvas maiores, superiores a 45 graus do geralmente requerem intervenção cirúrgica.

Quando a cirurgia é necessária, os pacientes têm hastes metálicas inseridas nos ossos da coluna vertebral. Essas hastes, em conjunto com parafusos, ganchos e fios, podem corrigir a curva.

No século passado houve grande avanço na cirurgia que ganhou a mídia e uma das explicações para isso foi a falta de detecção precoce, de diagnóstico precoce, fazendo com que as escolioses ao serem detectadas já estivessem com graus cujo único tratamento possível fosse o cirúrgico.

O ideal é que se possa oferecer o melhor tratamento possível para o paciente de escoliose, desde a detecção precoce que pode ser feita pela triagem escolar, o tratamento precoce que começa pelos exercícios fisioterapêuticos especializados, os coletes macios, os coletes rígidos e no caso de necessidade a cirugia.

Fonte: Moe –  Scoliosis and other Spinal Deformities. W.B. Saunders Company, Philadelphia – USA 1978

https://pt.wikipedia.org/wiki/Escoliose

https://link.springer.com/article/10.1007/BF00383841


A história natural da escoliose na literatura a respeito da escoliose idiopática e neuromuscular em pacientes com mielomeningoceleta (MMC) é comparada aos nossos próprios resultados em 12 pacientes com MMC e 89 pacientes operados por causa de uma escoliose idiopática. De acordo com experiências conhecidas, a história natural da escoliose na MMC é a progressão mesmo após o término do crescimento. A chance de desenvolver escoliose aumenta com os pacientes, a idade e o nível da lesão. Quanto maior o nível de paralisia, mais comum é a deformidade da coluna vertebral. Na literatura, a taxa de progressão da escoliose do MMC é de 2,5–3,5 ° por ano, com o padrão idiopático de 0,5–0,65 ° por ano após o término do crescimento. Nossos próprios resultados de pacientes tratados cirurgicamente mostram uma taxa de progressão de 6,2 ° por ano na MMC. O tratamento cirúrgico deve ser iniciado antes que uma deformidade espinhal grave se desenvolva, devido à maior taxa de complicações operatórias.


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Sugestões:

https://www.luizpimenta.com.br/escolioses

https://www.luizpimenta.com.br/escoliose-adolescente

https://www.luizpimenta.com.br/escoli-adulto

https://www.luizpimenta.com.br/blog/search/escoliose


Paleopatologia


Existem alguns casos paleopatológicos de escoliose, identificados quer por vértebras isoladas, quer por colunas vertebrais completas com curvaturas laterais de etiologia diversa. No caso das vértebras isoladas, Pereira (2017)[36] ao estudar os restos humanos da necrópole Medieval Cristã de Mértola (Portugal) do séc. XIV-XVI, identificou um esqueleto de um indivíduo adulto, do sexo masculino, com uma vértebra torácica cujo processo espinhoso apresenta-se desviado, indiciando a existência de uma curvatura da coluna vertebral à direita.

Em relação às colunas vertebrais completas há o caso de um esqueleto de um indivíduo do sexo feminino, com cerca de 40-45 anos de idade à morte e datado dos séc. II-III, exumado de uma necrópole situada na antiga cidade de Helike, na Grécia [37]. O esqueleto apresenta uma assimetria das facetas articulares posteriores da segunda e terceira vértebras cervicais e sacralização assimétrica da quinta vértebra lombar, o que, em conjunto, despoletou a escoliose que causou alterações degenerativas articulares da coluna vertebral [37].

No Sudão, na necrópole de Kulubnarti (séc. VI-IX), também foi exumado um esqueleto do sexo masculino, com cerca de 20-25 anos de idade à morte, com uma escoliose congénita acentuada (com um ângulo de Cobb de 104°) para o lado esquerdo, da sexta vértebra torácica à primeira lombar [38]. Esta curvatura, causada por uma falha na segmentação posterior e pela presença de vértebras em bloco entre a oitava vértebra torácica e a primeira lombar, encontra-se acompanhada por uma distorção acentuada e rotação das vértebras, produzindo uma cifose secundária [38]. A par destas alterações, observa-se agenesia de metade do arco neural da primeira vértebra cervical e de uma vértebra cervical, falha na segmentação entre várias vértebras torácicas (entre primeira e a segunda, entre a terceira e a quinta e entre a sexta e a sétima) e agenesia do processo estilóide de ambos os ossos temporais [38]. Refira-se que estas alterações despoletaram um conjunto de modificações, assimétricas, no esqueleto pós-raquidiano [38].

Um outro exemplo vem da necrópole irlandesa de Ballinderry, com uma cronologia situada entre os anos 1439-1511 [39]. Trata-se de um indivíduo adulto do sexo masculino, com assimetria dos seus membros superiores e inferiores, associada a duas curvas escolióticas [39]. O diagnóstico diferencial demonstrou que este indivíduo terá sofrido de paralisia cerebral, com hemiplegia do seu lado direito, um dos raros casos em contextos bioarqueológicos, donde resultou o desenvolvimento de alterações na coluna vertebral, caraterísticas de escoliose [39].

Um outro caso é a escoliose do rei de Inglaterra, Ricardo III, que governou entre os anos de 1483-1485 e que foi morto numa batalha em 1485 [40]. Teria 30 a 34 anos de idade quando faleceu [41] e apresenta uma curvatura lateral direita com um ângulo de Cobb de 70°-90°, cujo ápice se encontra ao nível da T8-T9 [40]. Segundo estes autores não se observaram alterações compatíveis com escoliose congénita, paralisia cerebral, síndrome de Marfan ou malformação de Chiari. As alterações da anatomia vertebral poderão ter ocorrido nos últimos de anos de crescimento, o que é compatível com uma escoliose idiopática de adolescente, com início provável aos 10 anos de idade [40].


Referências


  1. Ir para:a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae «Questions and Answers about Scoliosis in Children and Adolescents». NIAMS. Dezembro de 2015. Consultado em 12 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2016

  2. Ir para:a b c d e f g «adolescent idiopathic scoliosis». Genetics Home Reference. Setembro de 2013. Consultado em 12 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 16 de agosto de 2016

  3. Ir para:a b c Shakil, H; Iqbal, ZA; Al-Ghadir, AH (2014). «Scoliosis: review of types of curves, etiological theories and conservative treatment.». Journal of back and musculoskeletal rehabilitation. 27 (2): 111–5. PMID 24284269. doi:10.3233/bmr-130438

  4. Yang, S; Andras, LM; Redding, GJ; Skaggs, DL (janeiro de 2016). «Early-Onset Scoliosis: A Review of History, Current Treatment, and Future Directions.». Pediatrics. 137 (1): e20150709. PMID 26644484. doi:10.1542/peds.2015-0709

  5. Agabegi, SS; Kazemi, N; Sturm, PF; Mehlman, CT (dezembro de 2015). «Natural History of Adolescent Idiopathic Scoliosis in Skeletally Mature Patients: A Critical Review.». The Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons. 23 (12): 714–23. PMID 26510624. doi:10.5435/jaaos-d-14-00037

  6. «scoliosis». Dictionary.com. Consultado em 12 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 16 de agosto de 2016

  7. Ir para:a b Aufderheide, C.; Rodriguez-Martin, C.; Langsjoen, O. (1998). The Cambridge encyclopedia of human paleopathology. [S.l.]: Cambridge: Cambridge University Press

  8. Ir para:a b c d e Ortner, D. (2003). Identification of pathological conditions in human skeletal remains. [S.l.]: Academic Press

  9. Eckalbar, W. L.; Fisher, R. E.; Rawls, A.; Kusumo, K. (2012). «Scoliosis and segmentation defects of the vertebrae. Wiley interdisciplinary reviews.». Developmental Biology, 1: 401-23. doi:https://d